publicado 17 de jun. de 2026 · Por J. Bo.
Jejum Intermitente: Estudo Revela que Ele Não é Mais Eficaz que Dietas Convencionais
Jejum intermitente não é mais eficaz que dietas tradicionais para emagrecer, segundo estudo Cochrane.

Jejum Intermitente: Análise Revela Eficácia Semelhante às Dietas Tradicionais
Por Fernanda Bassette, da Agência Einstein
O jejum intermitente tem se destacado como uma popular estratégia para perda de peso, especialmente por seus supostos benefícios metabólicos. Contudo, uma recente análise publicada na Cochrane Library sugere que essa abordagem não é mais eficaz do que as dietas tradicionais para emagrecimento.
A revisão contemplou 22 ensaios clínicos com aproximadamente 2.000 adultos com sobrepeso ou obesidade. Os pesquisadores investigaram diferentes modelos de jejum, incluindo janelas restritas de alimentação ao longo do dia, jejum em dias intercalados, e a conhecida dieta 5:2 — que prevê alimentação habitual por cinco dias e restrição calórica em dois dias não consecutivos.
O endocrinologista Rafael Scarin, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia, explica o princípio da estratégia: "A lógica do método é prolongar períodos sem ingestão de calorias para reduzir a ingestão energética total, o que pode aumentar a mobilização de gordura e gerar algumas adaptações metabólicas."
Comparação com Dietas Convencionais
Apesar dos fundamentos fisiológicos do jejum intermitente, os dados indicam que seu impacto no peso corporal é comparável ao das dietas convencionais. A pesquisa revelou uma diferença média pequena e estatisticamente não significativa: aqueles que aderiram ao jejum intermitente perderam cerca de 300 gramas a mais que os grupos controle.
Scarin ressalta que, mesmo sem eficácia superior às dietas, o jejum intermitente pode ser uma opção viável para alguns indivíduos: "Pode ser uma alternativa válida para pacientes, desde que seja sustentável e adaptável à rotina deles."
Benefícios Metabólicos em Perspectiva
Os adeptos do método frequentemente citam melhorias na sensibilidade à insulina e maior oxidação de gordura. O jejum intermitente está associado à produção de corpos cetônicos e potencial adaptação do ritmo circadiano e do metabolismo da glicose.
No entanto, essas alterações fisiológicas não são sinônimo de superioridade clínica, conforme aponta Scarin. "Esses fenômenos não traduzem, na prática, uma 'vantagem metabólica mágica' além do que já se obtém com restrição calórica e orientação dietética convencional."
Escolhendo a Melhor Abordagem
Para Rafael Scarin, a decisão por uma estratégia alimentar deve focar na capacidade de mantê-la ao longo do tempo. "O sucesso do método depende muito mais da adaptação individual do que de alguma vantagem metabólica específica", observa o especialista. Ele complementa que o perfil de maior benefício tende a ser aquele que consegue ajustar as janelas alimentares à sua rotina.
Embora a análise não tenha identificado aumento consistente de riscos, alguns efeitos adversos foram registrados. Dentre os sintomas relatados estão fadiga, tontura, fome excessiva, dores de cabeça, náusea e hipoglicemia. "Pessoas com histórico de transtornos alimentares ou que usam medicamentos que reduzem a glicose no sangue devem ter cautela", alerta Scarin.
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