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publicado 18 de jun. de 2026 · Por J. Bo.

Hiperconexão e Ansiedade: Como as Redes Sociais Influenciam a Saúde Mental em um Brasil de Incertezas

Ansiedade ligada à hiperconexão e incertezas sociais no Brasil, desafios em saúde mental são discutidos.

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Impacto das Redes Sociais e o Aumento da Ansiedade na Vida Contemporânea

A crescente presença nas redes sociais está profundamente ligada à busca por espaços de interação, especialmente em um mundo cada vez mais conectado digitalmente. Conforme destacou Jeane Tavares, as plataformas digitais têm mecanismos que mantêm os usuários conectados, gerando um estado contínuo de expectativa.

"As redes alteram o seu alcance sem você entender exatamente por que está sendo alterado. Essa incerteza faz com que a gente fique o tempo todo conectado, cronicamente conectado e preocupado", afirmou Jeane Tavares.

Conectados o Tempo Todo

Durante um debate recente, participantes destacaram a hiperconexão como uma característica marcante da vida contemporânea. Murilo Garavello, ao iniciar a discussão, mencionou a sensação de tudo estar "muito acelerado" e a dificuldade de se desconectar em meio a notificações incessantes.

"Quem aqui conseguiu passar o dia hoje sem responder uma mensagem ou olhar o email?", provocou Karen Scavacini, psicóloga e CEO do Instituto Vita Alere.

A discussão também abordou ferramentas como ChatGPT e Gemini, que impactam a busca de informações sobre saúde mental. Surge, então, o desafio de distinguir entre informações de qualidade e desinformações na internet.

Daniel Martins de Barros, psiquiatra e autor renomado, destacou que a tecnologia não é a única responsável pelo aumento da ansiedade, mas introduziu novos elementos na experiência cotidiana. Ele afirmou a importância do papel de profissionais em ajudar na interpretação das informações disponíveis.

"A gente tem que ajudar a gerenciar as informações e separar o que é verdadeiro do que não é verdadeiro", disse ele.

Ansiedade e Medo: Uma Distinção Necessária

Jeane Tavares explicou a diferença entre medo e ansiedade, destacando que o medo refere-se a estímulos presentes, enquanto a ansiedade está ligada à antecipação de eventos que ainda não ocorreram.

"O problema surge quando as pessoas passam a viver permanentemente em função dessa antecipação de cenários negativos", enfatizou Tavares.

O Contexto Brasileiro da Ansiedade

Especialistas ressaltam a necessidade de considerar o contexto brasileiro na discussão sobre ansiedade. Jeane apontou a violência e desigualdades como fatores que afetam diretamente a saúde mental da população.

Daniel Martins de Barros ampliou esse raciocínio, afirmando que o Brasil é um país de incertezas, o que mantém a população em uma tensão constante.

O Risco da Medicalização do Sofrimento

O painel alertou para o risco de transformar qualquer sofrimento em diagnóstico médico. Martins de Barros destacou que questões de ordem social frequentemente se manifestam como problemas individuais.

Além disso, o Brasil enfrenta grandes dificuldades no acesso a tratamentos adequados, com uma alta prevalência de transtornos de ansiedade sem o devido acompanhamento.

Estratégias para Proteger a Saúde Mental

Apesar das críticas, existem estratégias individuais que podem proteger a saúde mental, tais como atividade física, alimentação saudável e sono adequado. Contudo, Jeane Tavares frisou que a responsabilidade não deve recair somente sobre o indivíduo.

"Precisamos de um pacto coletivo que proteja todas as pessoas. Se não for assim, não vamos conseguir promover saúde", concluiu Tavares.

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