publicado 12 de jul. de 2026 · Por J. Bo.
TDAH: Cuidado com o Autodiagnóstico nas Redes Sociais – Especialistas Alertam Sobre os Riscos e Mitos
Especialistas alertam que distrações comuns não indicam TDAH. Diagnóstico clínico é essencial.

O aumento dos autodiagnósticos de TDAH e o alerta dos especialistas
Nos últimos tempos, o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) tornou-se um dos tópicos mais discutidos no ambiente digital, impulsionando uma notável onda de autodiagnósticos. Contudo, muitos especialistas alertam que é essencial diferenciar a distração comum do quadro clínico real.
De acordo com o psiquiatra José Luis Leal da Kora Saúde, é importante notar que a distração ou esquecimento não são necessariamente sintomas de TDAH. "A verdade é que a gente exige demais do cérebro hoje em dia. É muita informação ao mesmo tempo, muita tela, e o resultado é uma mente exausta. Esse cansaço profundo cria uma desatenção que imita o TDAH perfeitamente. Só que, no fundo, quase sempre é apenas o corpo avisando que precisa desligar um pouco", explica Leal.
Criterios para um diagnóstico clínico de TDAH
Para que distração ou impulsividade sejam diagnosticadas como TDAH, os sintomas devem cumprir critérios específicos, que vão além de um simples dia ruim ou uma semana estressante.
- Cronicidade: Os sintomas do TDAH devem ser observados e devem poder ser rastreados desde a infância, geralmente antes dos 12 anos.
- Consistência: Os sinais de desatenção devem se manifestar em praticamente todas as áreas da vida, como trabalho, relacionamentos, estudos e tarefas domésticas.
- Prejuízo real: O comportamento deve causar um impacto negativo significativo e mensurável na vida cotidiana, resultando, por exemplo, em demissões recorrentes ou problemas financeiros.
Riscos do autodiagnóstico
Um dos principais riscos de basear um diagnóstico apenas em informações das redes sociais é a possibilidade de automedicação indevida com psicoestimulantes, que podem causar problemas adicionais, como sobrecarga cardiovascular e ansiedade excessiva. Além disso, um diagnóstico incorreto pode mascarar outros problemas subjacentes.
"Muitas vezes, a falta de foco é reflexo de uma depressão subjacente, de um transtorno de ansiedade generalizada, de apneia do sono ou de um quadro de burnout. Ao focar em um diagnóstico errado, a pessoa acaba atrasando o tratamento correto e prolongando o sofrimento", destaca Leal.
Avaliação profissional é fundamental
A recomendação dos especialistas é que o diagnóstico de TDAH seja sempre clínico, envolva uma conversa detalhada no consultório, inclui análise do histórico familiar e, muitas vezes, o olhar de uma equipe multidisciplinar de saúde.
Para aqueles que sentem que a falta de atenção está afetando negativamente suas vidas, buscar a avaliação de um psiquiatra ou neurologista é o caminho mais seguro e eficaz.
Mais notícias
Ops, não encontramos um artigo para os termos de busca especificados, tente alterar sua busca.