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publicado 13 de jul. de 2026 · Por J. Bo.

Estudo Inédito Revela Como 5 Mudanças no Estilo de Vida Podem Retardar Demência em Idosos na América Latina

Estudo latino-americano mostra que cinco mudanças no estilo de vida retardam o declínio cognitivo.

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Estudo Revela Estratégias de Estilo de Vida para Retardar Declínio Cognitivo em Idosos Latino-americanos

Uma combinação inovadora de cinco mudanças no estilo de vida demonstrou desacelerar o declínio cognitivo em idosos sob risco elevado de demência, de acordo com um estudo multicêntrico realizado em 11 países da América Latina, incluindo o Brasil. Esta pesquisa, publicada na renomada The Lancet, revelou que a abordagem proporciona uma melhora cognitiva 55% maior comparada às orientações gerais de saúde.

O ensaio clínico, nomeado Latam-Fingers, investigou 1.065 indivíduos de 60 a 77 anos com fatores de risco para demência e desempenho cognitivo abaixo do ideal para sua faixa etária, ao longo de dois anos. Os participantes foram recrutados de diversas nações latino-americanas: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, México, Peru, República Dominicana e Uruguai.

Estrutura do Estudo

Os voluntários foram divididos em dois grupos. Um grupo seguiu um programa estruturado que integrava a prática de atividades físicas, dieta equilibrada, controle rigoroso de fatores de risco cardiovasculares, treinamento cognitivo e socialização. O outro grupo recebeu orientações gerais sobre estilos de vida saudáveis.

Ao término do estudo, o grupo sob intervenção estruturada apresentou melhorias notáveis em comparação ao grupo de orientações gerais. Os benefícios foram tanto em cognição global quanto em habilidades específicas, como memória episódica, atenção e funções executivas.

Impactos e Implicações

Segundo os pesquisadores, este é um marco como a primeira evidência em grande escala de que uma abordagem multidomínio, ajustada ao contexto latino-americano, pode efetivamente mitigar o declínio cognitivo em populações negligenciadas nos estudos de prevenção de demência.

"Não se trata apenas de recomendar exercícios ou uma alimentação saudável. O impacto acontece quando os cinco aspectos são trabalhados simultaneamente", afirma o neurologista Paulo Caramelli, um dos principais coordenadores do estudo no Brasil.

O estudo adapta um modelo da Finlândia, agora aplicado em sociedade de média renda, caracterizadas por maior desigualdade social e limitado acesso a cuidados preventivos.

Dificuldades e Desafios

Caramelli aponta uma “enorme janela de oportunidade” para prevenção, dada a frequência de fatores de risco cardiovasculares mal administrados. Adaptações locais, como mudanças dietéticas apropriadas aos hábitos brasileiros, foram implementadas, incluindo a promoção de atividades físicas em grupo, que receberam avaliações positivas dos participantes.

A geriatra Claudia Kimie Suemoto destaca que a magnitude dos benefícios surpreendeu a equipe, superando em quase três vezes os resultados de estudos anteriores realizados fora da região.

Adesão e Futuros Passos

O estudo mostrou alta adesão, com mais de 82% dos participantes concluindo o acompanhamento, e uma média de aderência às atividades propostas de 72% entre os que passaram pelo programa estruturado. Eventos adversos ocorreram, mas nenhum foi grave ou resultou em fatalidades.

Embora os resultados não impeçam completamente a demência, a pesquisa sublinha que mudanças contínuas no estilo de vida podem retardar o comprometimento cognitivo.

Projeções e Contexto no Brasil
Indicador Descrição
Casos de demência Cerca de 2,46 milhões de brasileiros com 60+ anos
Projeções até 2050 Espera-se que esse número quase triplique devido ao envelhecimento populacional
Diagnóstico Apenas 20% dos casos recebem diagnóstico formal

Caramelli salienta as dificuldades de diagnóstico, observando que muitos casos só são detectados em estágios avançados. Além disso, há desafios no acesso a serviços de saúde, especialmente fora dos grandes centros urbanos.

Os autores afirmam que a prevenção da demência deve ser integrada à atenção primária. O próximo passo inclui testar a estratégia em unidades básicas de saúde para verificar a viabilidade de serem incorporadas ao SUS, transformando descobertas científicas em benefícios práticos.

Os participantes continuarão sendo monitorados por mais quatro anos para avaliar a sustentabilidade das mudanças de hábito e a duração dos ganhos cognitivos adquiridos.

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