publicado 29 de jul. de 2026 · Por J. Bo.
América do Sul Próxima de Sair do Mapa da Fome: Desafios Econômicos e Desigualdades Persistem
Fome na América do Sul diminui, mas desigualdades e altos custos de alimentos ainda preocupam.

Queda da Fome na América do Sul: Avanços, Desigualdades e Desafios para a Segurança Alimentar
Por José Graziano da Silva
O relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo 2026 (SOFI 2026), divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), revela avanços significativos na América do Sul em termos de redução da subalimentação desde o início da pandemia de Covid-19. De 2020 a 2025, o índice de subalimentação caiu de 5,5% para 3,5%, com uma redução aproximada de oito milhões de pessoas enfrentando essa condição.
Conquistas Econômicas e Políticas Públicas
Esses progressos decorrem da recuperação pós-pandemia, crescimento do emprego e renda, e expansão de políticas de segurança alimentar, mesmo diante de desafios como inflação alimentar e crise econômica global.
Potencial Perspectiva: a manutenção desse ritmo poderá permitir que a América do Sul saia do Mapa da Fome até 2030, caso a subalimentação seja reduzida a menos de 2,5% da população. Atualmente, a região já está muito próxima desse limite.
Desafios Persistentes
Apesar dos avanços, o caminho para erradicar a fome não é linear. Razões geopolíticas, recessões e eventos climáticos extremos podem interromper o progresso. Além disso, sucesso futuro depende de políticas públicas que abrangem populações e territórios vulneráveis.
- Manter crescimento econômico e ampliar oportunidades de trabalho.
- Garantir preços estáveis para alimentos.
- Fortalecer políticas de proteção social e segurança alimentar.
Cada um desses fatores deve estar alinhado para garantir reduções sustentáveis.
Realidades Nacionais e Regionais
A situação varia significativamente entre países da América do Sul. Enquanto alguns possuem infraestrutura para políticas continuadas, outros enfrentam desafios fiscais e institucionais.
| País | Prevalência (%) |
|---|---|
| Bolívia | 19,5 |
| Suriname | 12,7 |
| Equador | 10,8 |
| Peru | 5,7 |
| Venezuela | 5,3 |
| Colômbia e Paraguai | 4,1 |
Esses dados destacam a importância de políticas públicas adaptadas às realidades locais.
O Desafio da Segurança Alimentar Ampla
Embora a redução da fome indique progresso, ainda existe uma lacuna significativa em termos de segurança alimentar adequada. Cerca de 20% da população sul-americana enfrenta insegurança alimentar moderada ou grave. Adicionalmente, o alto custo de uma dieta saudável permanece um desafio significativo na região.
Influência do Brasil
Com importante influência regional, o Brasil desempenha um papel crucial na melhora dos indicadores. De 2023 a 2025, o país avançou significativamente em suas políticas de protecção social e segurança alimentar, refletindo positivamente a nível regional.
- Política de valorização real do salário mínimo.
- Fortalecimento de programas como Bolsa Família e PAA.
- Consolidação do PNAE como direito à alimentação.
Essas medidas contribuíram para a recuperação econômica e para garantir acesso adequado à alimentação para milhões de brasileiros, impactando positivamente indicadores regionais.
Caminho a Percorrer
Mesmo com os progressos, a América do Sul deve entender sua eventual saída do Mapa da Fome como um marco, não como a solução definitiva para os desafios alimentares. Ainda é imperativo garantir que o acesso a uma dieta saudável e nutritiva seja uma realidade para todos.
Os dados do SOFI 2026 ressaltam a importância de continuar enfrentando as desigualdades alimentares, especialmente o alto custo de alimentos saudáveis que afeta uma parte significativa da população.
Em conclusão, reduzir a fome é essencial, mas assegurar o direito à alimentação adequada é um desafio ainda mais amplo, requerendo esforços contínuos e coordenados.
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