publicado 15 de ago. de 2026 · Por J. Bo.
Revolução na Saúde: Brasil Testa Primeira Polipílula para Prevenir AVC e Doenças Cardiovasculares
Pesquisadores brasileiros recrutam 8,5 mil voluntários para testar a primeira polipílula contra AVC e doenças cardiovasculares.

Polipílula Brasileira é Testada em Voluntários para Prevenir AVCs e Doenças Cardiovasculares
Pesquisadores brasileiros estão recrutando voluntários desde o final de 2025 para integrar um importante teste com a primeira polipílula nacional desenvolvida para combater acidentes vasculares cerebrais (AVC) e outras doenças cardiovasculares. A meta é reunir 8,5 mil participantes que serão monitorados ao longo de três a quatro anos.
Composição da Polipílula e Primeiros Resultados
A polipílula combina três medicamentos: rosuvastatina 10 mg para o controle do colesterol, valsartana 80 mg, e anlodipina 5 mg, ambos para o controle da pressão alta. Este formato permite que os três medicamentos sejam ingeridos de uma só vez.
A fase inicial de testes, considerada bem sucedida, foi realizada com 370 participantes em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, entre 2020 e 2023.
Condução da Pesquisa e Parcerias
O estudo é conduzido pelo Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, em parceria com o Ministério da Saúde através do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). A pesquisa envolve colaboração com unidades de atenção primária à saúde e secretarias de saúde.
A coordenação está a cargo de Sheila Martins, neurologista e chefe de Neurologia e Neurocirurgia do Hospital Moinhos de Vento. Segundo Martins, "a ideia é provar a eficácia do tratamento em indivíduos de baixo e médio risco".
Recrutamento de Voluntários
Para participar, os voluntários devem ter entre 50 e 75 anos e não ter histórico de AVC ou infarto, além de não usarem medicamentos para colesterol, hipertensão, ou diabetes. O projeto abrange acompanhamento médico gratuito ao longo do estudo em 14 centros de AVC por todo o país, incluindo estados como São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, entre outros.
Os voluntários serão divididos em dois grupos: um receberá a polipílula e o outro um placebo. Em três anos, os pesquisadores verificarão a redução no risco de AVC, demência ou alteração da memória, além do risco de infarto e insuficiência cardíaca.
Implementação do Aplicativo "Riscômetro"
O projeto também inclui o lançamento de um aplicativo chamado Riscômetro. A plataforma visa auxiliar pacientes a calcular e monitorar o risco de sofrer um AVC, infarto ou doença circulatória enquanto incentiva mudanças no estilo de vida, como aumentar a atividade física e parar de fumar.
Importância da Prevenção de AVC
O AVC é a principal causa de morte no Brasil e uma das principais de incapacidade. Dados de 2022 indicam que o país registrou 89.490 mortes por AVC. Globalmente, projeta-se que as mortes por AVC possam aumentar até 50% nas próximas décadas.
A hipertensão se destaca como o principal fator de risco. A pressão arterial, medida em milímetros de mercúrio (mmHg), tem valores específicos como indicadores de risco aumentado (superiores a 115/75 mmHg), que crescem ainda mais com níveis mais elevados.
Proposta de Mudança no Tratamento da Hipertensão
Sheila Martins ressalta que mudanças no estilo de vida são recomendadas para quem possui pressão levemente aumentada. Atualmente, medicação é usualmente prescrita para pressões a partir de 140/90 mmHg. A pesquisa testa a possibilidade de iniciar tratamento em indivíduos entre 115/75 mmHg a 139/121 mmHg.
Perspectivas Futuras e Implicações da Pesquisa
A pesquisa visa prevenir o primeiro AVC em indivíduos que tenham pelo menos um fator de risco modificável, como obesidade ou tabagismo. O tratamento pode influenciar políticas públicas no Brasil e no exterior.
A fase piloto mostrou que a polipílula é eficaz na redução da pressão arterial em 12 mmHg e do colesterol em 40 mg/dL. Sheila Martins espera que a polipílula possa ser disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em breve, oferecendo uma solução prática e eficaz para milhões de brasileiros em risco.
A equipe de pesquisa internacional colabora ativamente, trazendo experts da Austrália, Estados Unidos, e Reino Unido, sob a liderança de Sheila Martins nesta inovadora iniciativa que promete revolucionar o tratamento e prevenção de doenças cardiovasculares.
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