publicado 26 de ago. de 2026 · Por J. Bo.
Pressão Econômica Aumenta, Mas Saúde e Bem-Estar Ganham Espaço nos Lares Brasileiros em 2026
Um terço dos lares brasileiros está em dificuldades financeiras, priorizando saúde e reduzindo açúcar.

Estudo revela desafios econômicos e mudanças nas tendências de saúde no Brasil
Um terço dos lares brasileiros encontra-se hoje na categoria Struggling, onde as famílias destinam toda a renda ao pagamento das despesas mensais ou têm ganhos insuficientes para cobrir os gastos, de acordo com o estudo The Health Effect – LATAM 2026, da Worldpanel by Numerator. Este número representa um aumento de 25% em 2025 para 33% em 2026.
Durante o mesmo período, o grupo Managing — que necessita planejar compras e controlar despesas para adquirir o que deseja ou necessita — caiu de 45% para 37%. Juntos, ambos os perfis abrangem 70% dos lares brasileiros, indicando uma piora no quadro econômico, já que oito pontos percentuais migraram do grupo que ainda administra o orçamento para aquele sem sobra financeira.
Pressão econômica e percepção de saúde
A pressão econômica sobre as famílias acompanha uma deterioração na percepção de saúde. A porção de brasileiros que considera saudável seu bem-estar físico caiu de 64% em 2024 para 57% em 2025 e 55% em 2026. Além disso, o Brasil figura entre os mercados mais tensionados da região, apresentando índices de 55% para bem-estar físico e 60% para mental.
Busca por saúde em meio a dificuldades financeiras
Mesmo em cenário de dificuldades financeiras, o cuidado com a saúde mantém sua relevância. Os Health Actives, consumidores que frequentemente adotam práticas relacionadas à alimentação e ao estilo de vida, passaram a representar 30% dos lares brasileiros, um crescimento de quatro pontos percentuais em relação ao ano anterior.
Na América Latina, esse grupo voltou a alcançar 38% dos domicílios em 2026, comparado a 34% em 2025. Health Moderates compõem outros 30% dos lares que seguem parte das práticas de saúde.
Consumo e escolhas de produtos
O direcionamento do consumo também está mudando. Produtos essenciais ainda concentram 43% dos gastos com bens de consumo massivo na região, mas autocuidado e bem-estar respondem por 19% do gasto, crescendo 12% em relação ao ano anterior, um desempenho três vezes superior ao dos itens essenciais.
Em contrapartida, a alta dos preços leva as famílias a reduzir o tamanho do carrinho de compras. O consumidor compra menos unidades por viagem e escolhe com mais critério onde manter, cortar ou elevar os gastos. Nesse cenário, produtos premium e marcas próprias foram responsáveis por 85% do crescimento das unidades de bens de consumo massivo na América Latina.
Visão sobre medicamentos GLP-1 entre classes AB
Dados da Worldpanel by Numerator mostram que medicamentos GLP-1 têm atraído os consumidores brasileiros de maior poder aquisitivo. Uma pesquisa realizada entre julho e agosto de 2026 revelou que 12,9% dos domicílios pesquisados das classes A e B possuem ao menos um usuário desses medicamentos. Outros 6,9% relataram uso no passado, enquanto 9,5% consideram iniciar o uso.
O conhecimento sobre a categoria é quase universal neste público, com 96,7% conhecendo as canetas para perda de peso. Dos domicílios considerando o uso, 58,2% classificam como alta ou muito alta a probabilidade de adesão nos próximos seis meses.
Reduzindo açúcar: uma tendência em crescimento
A redução de açúcar não está mais restrita a grupos pequenos. No Brasil, 46% dos lares são Sugar Reducers, consumidores que buscam opções com menos açúcar e evitam produtos com açúcar adicionado. Outros 30% preferem açúcar tradicional ou evitam adoçantes artificiais, e 8% priorizam alternativas com poucas calorias.
Em toda a América Latina, mais de 80 milhões de domicílios buscam reduzir o consumo de açúcar, com mudanças significativas: 45% diminuíram o consumo de refrigerantes, 44% reduziram chocolates e outros doces, e 44% cortaram alimentos ultraprocessados.
Os resultados mostram que a pressão financeira não elimina o interesse por saúde, mas torna as escolhas mais seletivas. Produtos que oferecem benefícios percebidos, prevenção, conveniência, preço adequado e prazer têm mais chances de permanência nas cestas de compras.
As pesquisas baseiam-se em levantamentos da Worldpanel by Numerator, com dados de 15,4 mil entrevistados na América Latina e 3.350 no Brasil, além de uma pesquisa específica sobre GLP-1 em consumidores das classes A e B.
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