publicado 24 de set. de 2026 · Por J. Bo.
Alerta: Obesidade Triplica no Brasil em 30 Anos - Descubra os Fatores e Soluções Para a Crise de Saúde Pública
Estudo mostra que obesidade triplicou no Brasil entre 1990 e 2023 devido a hábitos alimentares.

Estudo Revela Triplicação da Obesidade entre Adultos no Brasil desde 1990
Um estudo recente publicado pela revista Lancet aponta um preocupante aumento nos índices de obesidade entre adultos brasileiros. Segundo a pesquisa, que faz parte da série de estudos Carga Global de Doenças (GBD), a prevalência de obesidade em adultos com 25 anos ou mais subiu de 7,8% para 27,7% de 1990 a 2023.
O Brasil lidera o aumento desse índice entre 17 países da América Latina, conforme os pesquisadores. Quando se consideram todos os casos de excesso de peso, abrangendo tanto sobrepeso quanto obesidade, a prevalência no país saltou de 40,3% para 66,8% no mesmo período.
Crescimento do Excesso de Peso e Mudança de Hábitos
O estudo destaca que, juntamente com a Colômbia, o Brasil apresentou um crescimento acentuado na parcela populacional acima do peso adequado, com um aumento de 69%. Na América Latina, o crescimento médio foi de 47%.
O cálculo de sobrepeso e obesidade é feito através do Índice de Massa Corporal (IMC), que mede a relação entre peso e altura. Um IMC entre 25,00 e 29,99 classifica uma pessoa como sobrepeso, enquanto um IMC de 30,00 ou mais indica obesidade.
Impactos da Transição Nutricional
A pesquisadora Deborah Carvalho Malta, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), destaca que as alterações nos hábitos alimentares e de exercício físico estão entre os principais fatores para o aumento do excesso de peso. Essa transição nutricional brasileira inclui uma redução na desnutrição e uma deterioração na qualidade da dieta.
"Houve melhoras nas condições de vida e acesso a alimentos, graças a políticas sociais como o Bolsa Família e o aumento do salário mínimo, tornando a desnutrição um problema menos prevalente", explica Malta. No entanto, a qualidade dos alimentos consumidos piorou."
Malta destaca a substituição de alimentos saudáveis por opções ultraprocessadas, que, apesar de mais acessíveis financeiramente e atraentes ao paladar, são ricas em gorduras, açúcares e sódio. Segundo a pesquisadora, políticas de incentivo ao consumo de alimentos saudáveis, como a taxação de produtos ultraprocessados e a redução de impostos sobre alimentos naturais, são essenciais.
Sedentarismo como Fenômeno Crescente
Outro ponto crítico apontado pela pesquisa é o aumento do sedentarismo. A população está menos ativa fisicamente devido ao maior uso de dispositivos eletrônicos, como celulares e computadores.
"A combinação de má alimentação e falta de atividade física é um fator determinante no aumento do excesso de peso e segue o padrão ocidental de vida", destaca Malta.
A prevenção da obesidade infantil é considerada crucial, já que a reversão da obesidade adquirida na infância é difícil. Crianças obesas têm maior predisposição a manter a obesidade na vida adulta e desenvolver doenças crônicas.
Deborah Malta, médica pediatra e doutora em saúde coletiva, alerta que o excesso de peso está associado a diversas doenças crônicas, como problemas cardiovasculares, renais, osteomusculares e variados tipos de câncer, além de influenciar negativamente a autoestima.
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